sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Milagre em Rassim


"Esse mês aconteceu um milagre que deixou as pessoas abertas que Deus é Deus e não há outro igual a ele. Foi no dia 23/10/2011.

A neta do pai Capulana, uma menina chamada Ancha, tinha uma malária que a deixou mal, até ficar desmaiada lá pelas 13 horas.
Eles vieram me chamar e quando fui, encontrei a criança já desmaiada, mas pela vontade de Deus pai, orei e ela abriu os olhos. Depois de irmão Gassite chegar, oramos juntos e levamos a criança para o hospital. Lá fizeram exame e descobrimos que era malária de uma cruz* e voltamos para casa.

Lá pela meia noite, pai Capulana veio nos chamar. Já a criança não tinha vida. Fomos eu e Gassite e mãe Muhaxicatho, oramos e ela recuperou a vida, abriu os olhos. Muita gente que estava lá acreditou que a oração tem grande poder. Aquilo que a Bíblia diz que a oração feita pela fé dará saúde ao doente. Isso tocou o coração de muita gente que Deus cura."

Por Sérgio


* nota explicativa: malária não muito violenta, mas resistente e quando não tratada a tempo pode levar a pessoa ao coma e à morte.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Experimentando a Presença de Deus com Mulheres Moçambicanas


Experimentar o céu aqui na terra. Ver o reino de Deus brilhar diante de nossos olhos. Sentir o coração de Deus dentro de nossos corpos limitados e andar no Seu poder quando nos sentimos mais fracos! Isso é o que sinto que acabamos de experimentar aqui em Inhaminga, alguns momentos atrás!

Temos um novo Centro de Conferências cheio de mulheres de toda região central de Moçambique; mulheres que vieram de diferentes passados, mas em sua maioria de áreas rurais recônditas carregando uma imensa bagagem de sofrimento e dor. O que elas já passaram, nossas mentes mal podem compreender. Ontem a noite conversamos com sete delas que conseguiram revelar que foram abusadas sexualmente. Conforme contavam suas histórias meu coração era partido e eu queria correr e chorar. Mas como poderia? Foram elas as feridas e, ainda assim, permaneciam ali com ousadia contando-nos como haviam sido feridas e, com suas próprias palavras, liberando perdão àqueles que lhes haviam ferido, sendo liberadas em seus espíritos para também receberem perdão!

Essa manhã recebemos uma Palavra durante nossa oração da equipe que devíamos nos focalizar nas coisas do céu, que alegria é maior do que a pior tristeza e benção maior do que maldição. Por isso não devíamos tomar o longo caminho tentando lidar com a tristeza e a maldição e sim receber a alegria de Deus e Sua benção, porque o sofrimento e a maldição foram pregados na cruz e alegria e benção podem conquistar todo restante.

Ao entrarmos no hall as mulheres já estavam adorando. Unimo-nos a elas em adoração e num momento sentimos quase fisicamente os céus descerem e a presença de Deus ser manifesta em nosso meio. É algo impossível de se descrever em meras palavras, mas quando levantei meu rosto e vi 200 mulheres ajoelhadas diante do Pai, algumas falando em línguas, outras adorando em dialeto, algumas com rosto em terra, outras com braços levantados para o céu e faces brilhando, fui cheia de uma gratidão inexpressável pelo privilégio e honra de fazer parte de um tempo como esse.

Como pode uma transformação tão grande acontecer em tão pouco tempo? Desde o dia em que essas mulheres chegaram elas tem ido de um nível a outro em Deus. Na primeira manhã de adoração muitas haviam sido cheias do Espírito Santo pela primeira vez. Algumas no início haviam manifestado demônios, mas conforme os dias iam passando, víamos menos e menos dessas manifestações e mais e mais mulheres caminhando na liberdade do Espírito Santo!

Medo não tem lugar em nosso meio quando o céu encontra-se com a terra! Alegria, cura, plenitude, força… é assim que sentimos!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um Mundo de Sofrimento e Dor!

Algumas vezes eu olho e vejo o mundo ao meu redor,
Vejo o sofrimento, a maldade, a injustiça, a dor.
É aí que confirmo que realmente não sou desse mundo, eu não sou daqui!

Se não fosse a esperança plantada lá no mais profundo do meu ser, não sei o que faria!

Se não fosse a alegria impregnada em minh'alma,
Se não fosse a certeza de que um dia tudo o que está errado será consertado,
Que Ele limpará toda lágrima e curará toda dor,
Que a Luz, que é a Verdade, que é a Justiça enfim brilhará sem limites!
Se não fosse isso, tenho certeza, não suportaria, a morte desejaria!

Obrigada meu querido Jesus por me dar olhos de fé para ver esperança num mundo desesperançado! Obrigada por seu sofrimento que me trouxe a paz! Obrigada por completar a obra que nenhum homem poderia fazer e nos dar um futuro que nunca poderíamos ter!

Ensina-me a olhar o mundo com teus olhos de compaixão,
Sem no entanto mergulhar na mesma escuridão!
Ajuda-me a caminhar um passo de cada vez,
Para enfim colher o fruto daquilo que o Senhor fez!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

De graça recebestes, de graça dai! por Valentim


Num dia, eu, juntamente com um jovem da igreja de nome Adamo, decidi chegar em casa de uma mãe que estava grave doente, e quando lá cheguei toda família estava dentro ao redor do doente. Eu pedi licensa e entrei dentro da casa e fiz a introdução sobre porque eu vim e para fazer o quê. E quando eu acabei de explicar que vim aqui somente para visitar o doente e pedir ajuda a Deus por ela, a mãe da doente disse: "Infelizmente não vai ser possível orar por ela agora, porque nós não temos dinheiro para vos pagar. Se ela curar e temos medo de dívidas porque nós gastamos muito dinheiro nos curadeiros."

Então eu respirei fundo por ouvir a palavra ''não temos dinheiro para vos pagar'' e depois eu disse para ela que toda nossa viagem era só por amor de Deus e não por interesse pessoal e financeiro. E quando expliquei, ela se sentiu livre e daí oramos por aquela doente. E agora ela está se sentindo bem, e a esperança da doente viver na família voltou. Foi maravilhoso!

Isso me fez entender que o mundo ou pessoas perdidas, não têm o que temos, não conseguem sentir o que sentimos e não vêm o que vemos, por isso há necessidade de ajudá-las.


Brigar por um corpo morto ou não? Eis a questão!

Esse mês tivemos um incidente interessante em uma das igrejas de Nacala, no bairro de Muzuane.
Um dos irmãos da igreja faleceu. Seu nome é Abudo Laimo, mas era conhecido por todos como pai Charifo! Ele foi um dos primeiros a entregar sua vida a Jesus quando a igreja de Muzuane começou, em 2005 e sempre manteve-se fiel e perseverante em sua fé. Era um irmão muito querido e divertido! Eu gostava muito de visitá-lo.

Assim que a notícia de sua morte foi ouvida aqui na escola (eu não estava presente naqueles dias) os professores e alunos se mobilizaram para ir ajudar a família. Normalmente, quando a pessoa que morre é cristã os muçulmanos não ajudam a enterrar (fazer o caixão, cavar o buraco, arrumar o corpo e enterrar) e essa muitas vezes é a ameaça que fazem quando alguém se converte: "Quando você morrer, não vamos te enterrar!"
Quando os professores chegaram lá, estavam começando a fazer o plano e os preparativos, a família do morto (tios, primos) veio e sem conversa levou o corpo embora dizendo que se era família deles, eles que iam enterrar. Esse irmão vivia com sua esposa na vizinhança da família da esposa e não muito perto de sua família.
As pessoas da igreja e os professores e alunos da escola não tiveram o que falar. Brigar pelo corpo? Com que objetivo mesmo? Quando tudo estava pronto, foram participar do enterro onde a família dele tinha preparado.

Quando voltaram, Agostinho (coordenador da escola) comentou com um sorriso: "Eles ficaram tão preocupados com o corpo morto! Nós falamos, levem o corpo, não nos interessa! Nós já o tivemos enquanto estava vivo e a alma dele está com Deus, isso que nos interessa!"

Ele escreveu no relatório dele: "Vimos que os muçulmanos ficam mais preocupados em amar e demonstrar o amor para um corpo morto do que para a pessoa viva. Demostrar amor para eles significa tratar bem do morto e entregá-lo na mão de Allah."

Nós não queremos ser assim... que possamos demonstrar o amor, o cuidado e o carinho de Deus aos vivos, enquanto há tempo!

Valentim escreveu no seu relatório: "Foi maravilhoso porque ele foi enterrado como muçulmano e foi recebido como cristão no céu. Foi triste ver pessoas que não sabem sobre o perfeito destino do ser humano a tomarem o corpo morto à força a fim de satisfazer suas vontades religiosas (cerimônias celebradas depois de 40 dias do defundo)."



Aula: Vivendo Perdão Imediato, Prof Lucas


Falando do meu trabalho neste mês foi muito bom. Deus está fazendo algo diferente na minha vida, tanto na vida dos alunos. Enquanto eu ensinava a matéria de Vivendo em Perdão Imediato Deus troxe paz na vida dos alunos, porque começaram a se perdoar uns aos outros e além disso haviam alguns que tinham problemas com a sua família e começaram a abrir o seu coração, compartilhar seus problemas, orávamos juntos e Deus trazia a paz na pessoa que ficava livre.

Quero contar un testemunho de um aluno que tinha problema com seus pais. No seu testemunho disse o seguinte: Ele tinha problema com seus pais, não havia comunicação, relacionamento até ao ponto do pai lhe rejeitar como filho e lhe expulsar da casa. Mas quando começou a ouvir de perdão ele ligou para o pai e lhe pediu perdão e o pai liberou perdão para ele e agora já estão a comunicar via telefone. E os pais já receberam Jesus Cristo!

Esses são os frutos de perdão. Quando a pessoa aplica na sua vida ele dá o efeito e traz o resultado da vitória, da paz e da alegria. O relacionamento é restaurado, o amor do pai para o filho fica em acção.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Nascimento


Logo cedo pensei: "Que legal! Acabei a maioria das coisas pendentes. Hoje posso trabalhar na biblioteca da escola!"

Meia hora depois de começar o trabalho, alguém bate na porta. É a Zita, amiga e líder da igreja em Muzuane; agora aluna da Escola Bíblica. Ela veio me dizer que a cunhada estava em trabalho de parto e Nicky tinha prometido levá-la ao hospital.

Corri até a casa da Nicky e fomos juntas buscar Nanchura e levá-la ao hospital. No carro, orávamos em línguas para que o bebê não nascesse ali mesmo... estava muito perto.

Lembrei-me de cerca de 3 anos atrás, quando fomos ao encontro de Nanchura... mas daquela vez o bebê já havia nascido e morrido... hoje foi diferente!

Conseguimos chegar a tempo no hospital e menos de uma hora depois de chegarmos lá, o bebê nasceu! Uma menina, grande, linda!

Tínhamos saído por alguns minutos para buscar uma capulana nova e algumas roupinhas de bebê. Quando voltamos, Nachura já estava sendo limpa e a nenê também.

Assim que as enfermeiras terminaram de limpar as duas, nos chamaram para dentro. Nanchura levantou e andou até o outro quarto onde ficaria de repouso por algumas horas! Imagine! Apenas 1 hora antes ela estava no carro, sofrendo as contrações... agora a nenê já havia nascido e a mãe já estava caminhando!

A cada dia eu fico mais surpresa com a força das mulheres africanas! É incrível!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2011 - Começando o Ano com Paradoxos!


Sou Otimista, Creio no FIM DO MUNDO!


Começo 2011 cheia de esperança! Mas uma esperança diferente, uma esperança misturada com lágrimas, cheia de angústia, desespero, falta, solidão; certa de que o que vem pela frente não será um mar de rosas, não me fará sorrir! Mas nem por isso deixa de ser esperança!

Explico: começo 2011 com um sentimento de que será um ano de guerra! Isso foi o que ficou forte em meu coração 5 minutos após o ano ter começado. É estranho que a perspectiva de ser um ano de guerra gere em mim esperança, mas essa perspectiva foi justamente gerada num Encontro de Jovens cujo tema foi "Bendita Esperança", então não poderia ser diferente!

A última mensagem que ouvimos antes da virada foi que nesses dias só existem duas categorias de pessoas: as alienadas (enganadas, vivendo as mentiras de satanás, envolvidas e apegadas à Babilônia que caminha para a destruição) e as angustiadas que por verem a VERDADE e não estarem sob o feitiço deste mundo, anseiam pela volta do Rei, crêem num mundo invisível, mas muito mais real do que esse, e por isso gemem e vivem angustiados e cheias de esperança!

Então o primeiro paradoxo do meu início de ano foi esse misto de esperança, alegria, expectativa e angústia, desespero, falta! A verdade é que só suportamos essa angústia e as tribulações que virão se colocarmos nossos olhos fixos em Cristo, no seu retorno, na Nova Jerusalém e na alegria que nos está proposta!
Se Cristo precisou ter os olhos fixos na alegria que lhe estava proposta para suportar tão grande sofrimento por nós, quanto mais nós! Precisamos de uma injeção diária de esperança, precisamos trazer à memória o que nos dá essa esperança e precisamos ser cheios de uma alegria louca de pessoas apaixonadas para suportar tamanha pressão!

O segundo paradoxo nesses dias foi que pude ver que quanto mais nos desapegamos desse mundo, quanto mais nossos corações são atraídos pelo vindouro, tanto mais nos importamos com pessoas, situações e o sofrimento do mundo.

Os alienados desse mundo vivem aqui e só pensam no que podem ver. No entanto, não conseguem VER a REALIDADE e por isso são superficiais e egoístas. Não conseguem ver o outro, sentir a dor do outro, vivem anestesiados. Apesar de estarem aqui e pensarem só no agora, não conseguem realmente viver o Aqui e o Agora!

Por outro lado, os angustiados, que têm uma esperança no que há de vir, que vivem por um outro mundo e uma outra realidade, por não estarem sob o feitiço deste mundo, conseguem realmente viver NESSE MUNDO, com toda intensidade.
Jesus olhava para cada pessoa e a via como ela era. Sentia sua dor até chorava por ela!

Por isso escrevi... "Desapegada das coisas dessa terra, resta-me somente apegar-me a Ele. Não sou um corpo solto no espaço, mas apego-me ao que é real, ao que é eterno."

O perigo para muitas pessoas, quando começam a ter a esperança do outro mundo é criar um "mundo de escape" que também não é real, é somente outro tipo de ilusão, engano e alienação!
E não é isso que precisamos nesses dias! Precisamos ser pessoas, que pela esperança que temos, pela angústia que carregamos, vivem de maneira a impactar, transformar tudo ao nosso redor, trazendo relances, faíscas, vislumbres do Reino que buscamos e no qual acreditamos!

"Venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu!" Essa foi a oração que Jesus nos ensinou, essa é nossa missão nessa terra, é para isso que vivemos: para trazermos o reino de Deus para a terra através das nossas vidas; é preparar um lugar para Sua Habitação e convidá-lo, atraí-lo para vir morar conosco! (e ainda nem li a última revista Impacto!)

Viver a verdadeira esperança faz-nos mais presentes no HOJE, no AQUI!

Só para encerrar: estou apaixonada por 1 Pedro 1!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Oração gera Oração



A primeira resposta à nossa oração é gerar mais oração.

A nossa fome liberada em oração e não saciada pelos prazeres do mundo e da carne geram, em primeira instância, mais fome. Uma fome insaciável, algo que passa a nos consumir por dentro, que nos faz desconfortáveis, insaciáveis, insatisfeitos com tudo ao nosso redor.

Nada pode verdadeiramente saciar essa fome senão a pura presença de Deus.

Muitas vezes, no entanto, Deus não sacia nossa sede imediatamente. Ele deixa-nos famintos e desejosos para que o espaço dentro de nós se expanda, para que haja lugar para sua presença manifesta dentro de nós e em nossas vidas.

Anseio e desejo por Ti, Senhor. Desejo que nada venha camuflar ou preencher esse vazio, essa fome, esse desejo. Não quero band-aids. Só mesmo o Senhor!!

Fim de 2010 - Confiança!



"Assim diz o Senhor: Maldito o varão que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor! Pois é como o junípero no deserto, e não verá vir bem algum; antes morará nos lugares secos do deserto, em terra salgada e inabitada.
Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Porque é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto.
Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer? Eu, o Senhor, esquadrinho a mente, eu provo o coração; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações." - Jr 17.5-10

"É melhor refugiar-se no Senhor do que confiar em príncipes." - Sl 118.9

"Mas o próprio Jesus não confiava a eles, porque os conhecia a todos, e não necessitava de que alguém lhe desse testemunho do homem, pois bem sabia o que havia no homem." - Jo 2.24-25

"Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos; portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos." - 2 Co 1.8-9

"Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne. Se bem que eu poderia até confiar na carne..." - Fp 3.3-4

Às vezes a única boa coisa em sermos decepcionados é aprendermos a não depositarmos nossa confiança em seres falhos como nós. Em momentos de desilusão, estamos vulneráveis e prontos para olhar também para dentro de nós e deixarmos o Espírito nos mostrar se também estamos depositando nossa confiança em nossa própria carne.

Ah, se confiamos na carne, estamos perdidos! Se temos esperança que nosso coração seja bom, ou a ilusão de que o conhecemos bem, estamos redondamente enganados e precisamos da iluminação do Espírito Santo para revelar-nos quem realmente somos!

Se não confiamos na carne (nem na nossa, nem na dos nossos irmãos) cercamo-nos do Corpo, dependemos uns dos outros, aprendemos a humildade e o quebrantamento e nunca colocamo-nos numa posição perigosa, isolada onde outros irmãos não podem corrigir-nos ou confrontar-nos.

Ó Senhor, ajuda-nos!

FIM de 2010 - Destruição!




Quando olho para trás, para o ano de 2010, fica forte para mim a palavra "destruição". Algumas coisas que eram fortes, inabaláveis para mim quando o ano começou, viraram ruínas e, no fim do ano, vejo só a fumaça do que antes eram castelos!

Não gostamos dessa palavra: DESTRUIÇÃO! Tem um sentido negativo, triste, que parece nos fazer regredir e não crescer, avançar, seguir em frente como achamos que devemos! Logo, presumimos que DESTRUIÇÃO É DO DIABO! Em certos aspectos, isso pode ser verdade. Afinal, João diz que satanás não vem senão para matar, roubar e DESTRUIR.

Mas quando olho para a vida de Jó, percebo que por trás da destruição, muitas vezes há um consentimento divino, um "permitir" celestial e, acima de tudo, um propósito eterno. Deus sabe que antes de construir algo novo, muitas vezes o velho tem que ser destruído por completo. Quem já viu uma casa capenga serem implodida para que um grande edifício novo e funcional seja construído sabe que o sentimento no meio do processo não é nada agradável ou bonito.

Mas então, lembro-me das eternas palavras de Paulo aos romanos: "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo os seus propósitos!"

Posso ficar confusa, perguntando se determinado evento ou ação foi da vontade de Deus ou não; posso indagar-me inúmeras vezes porque Deus permitiria que isso ou aquilo acontecesse, mas nunca poderei negar a Verdade da Palavra e se nela eu deixar de crer, sei que em pé não ficarei!

No início de dezembro, senti durante o louvor, uma Palavra forte de Deus, na forma de algumas frases: "Ele nada quebra que não queira restaurar. Ele nada destroi que não deseje reconstruir. O fim não será pior do que o começo, nem tampouco será igual, mas as últimas coisas revelarão o Senhor como as primeiras jamais poderiam!"

Por fim, quero deixar um desabafo de fim de ano, que escrevi no meu diário:

"Quem pensa que essa caminhada cristã é como um passeio no parque, nem começou a compreender o plano de Deus. Somos chamados como Jeremias a ser voz a um povo de dura cerviz. Nosso caminho mais parece um penhasco, nossos passos cambaleiam, nossos pés escorregam, dura é a jornada. Mas há uma promessa somente que nos sustém em todo tempo: 'Ele estará conosco'.
E a Palavra dele para mim agora é: 'Descanse, entre no descanso dele pois suas promessas podem tardar, mas sua Palavra é fiel e ela nunca falhará'.
Em meio às balas de guerra, aos zunidos das balas de canhão há um descanso para os filhos de Deus - e nesse descanso há alegria! A Alegria do Senhor é a nossa Força!
E sua promessa é que da destruição algo lindo sempre nascerá se deixarmos que o Senhor o faça. Da Terra sem forma e vazia, Deus cria a natureza perfeita e linda! De um vaso quebrado, um vaso lindo para sua honra! O fim sempre é mais bonito que o começo e as últimas coisas melhores que as primeiras! A glória da última casa é mais bonita que a da primeira!"

Com lágrimas nos olhos, um clamor na garganta, uma angústia no coração... termino o ano!
Mas não sem esperança...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pobreza Urbana e Abubacar

Faz tempo que só penso em escrever, mas nunca realmente venho no meu blog e concretizo o pensamento, mas hoje foi um dia bem interessante, então não posso deixar de escrever.


Os planos de hoje começaram na semana passada... na verdade foi bem antes disso...


Para quem já viveu em Inhaminga, o "meio do mato", onde quando não chove 70% da população passa fome, pobreza não deveria ser novidade. Mas o impacto que a pobreza urbana tem sobre meu coração atinge dimensões tão grandes que ele fica bem apertado, quase querendo sumir dentro de mim. É certo que o povo das zonas rurais trabalha duro, anda longas distâncias, passa necessidades, tem uma vida sofrida. Mas tem algo sobre "o mato" que é sempre reconfortante para mim... não sei se é a linda natureza ao redor, se é o senso de família e comunidade que ainda existe... ou talvez seja somente a ausência de montes de lixo! Acho que é isso!

Os aglomerados das cidades, o barulho, a falta de privacidade, os maus cheiros, o lixo por toda parte, a falta de segurança... sempre me fizeram querer distância delas.


Quando Deus me trouxe para Nacala, meu maior conforto era que a escola ficava 7km da cidade e no campus à beira do mar, ainda podemos ter aquele gostinho de "no meio do mato", ou fora da "civilização".


Mas a necessidade sempre nos levam prá dentro, pro centro, pra o meio daquela muvuca toda! O que fazer? Cada vez que vamos é o mesmo confronto... crianças pedindo, crianças guiando cegos pedindo, velhos pedindo, velhos cegos pedindo!

No início você não sabe o que fazer. Às vezes dá, às vezes não! Quando dá se sente mal pois sabe que não é de uma moeda que aquela pessoa precisa. Quando não dá, se sente pior pensando se aquela pessoa chegará a comer naquele dia! Não tem como acertar!


Aos poucos você descobre que se der para um, logo uma multidão te persegue, como abutres sobre uma carcaça parecem pensar: "Carne nova no pedaço, vamos aproveitar!"

Nesse ponto você já está perdendo a paciência, porque no meio dos pedintes, há sempre os ladrões e, mesmo os que não são, serão se você bobear por um segundo. Você para de dar por completo. Você descobre que se for bem estúpido com todos, nunca der nada a ninguém, aos poucos você é menos importunado, consegue fazer suas coisas com mais rapidez. Mas algo mais acontece: você deixa de enxergar pessoas, passa a ver vultos, números, obstáculos... tudo, menos pessoas.


Então um dia você acorda e descobre que mesmo que tenha chegado àquele lugar para ajudar as pessoas, seu coração já está duro como pedra e sua atitude não está ajudando ninguém.


Mas então? O que fazer?

Eu pessoalmente passei por cada uma dessas fases. Por fim entendi que tenho que estar atenta ao Espírito Santo. Não tenho obrigação de dar nada a ninguém, mas também não sou proibida. Devo ouvir aquele sussurro dentro de mim, prestar atenção para onde está apontando e acima de tudo, acima de qualquer outra coisa: OLHAR E VER PESSOAS!


Quando isso aconteceu, eu não mais via ladrões e pedintes. Eu passei a olhar profundamente e ver quem estava à minha frente. Isso mudou tudo...

Passei a ver os velhos, que realmente não tem como trabalhar. Jesus falou que os pobres sempre teríamos conosco... esses velhos são essa classe de pobres!

E passei a ver as crianças... os adolescentes! Eles estão por todas as partes da cidade. Os pequenos fazendo carinha de fome, pedindo uma moeda, querendo olhar o carro, ou limpar seu vidro com um pano sujo.

Aos poucos eles deixaram de ser apenas “crianças” para mim... passaram a ser: Abubacar, Cinaro, Sanito. Cada um com seu sorriso, sua personalidade própria, seu pedido, sua história (cheia de mentiras, na maioria das vezes).


Abubacar foi o que mais me conquistou. Ele tem mais ou menos 9 anos, é muito esperto e sempre corre quando vê meu carro. Deixei ele vigiar meu carro algumas vezes e sempre o encontrei de volta quietinho, olhando para o carro. Ele perguntava meu nome, onde eu morava, se podia ir comigo. Eu sempre esquinava e fazia as mesmas perguntas de volta para ele. Ele me falava que não tinha pai, não tinha mãe... eu sabia que não era verdade.


Aos poucos, mais do que apenas ver, eu passei a me preocupar, realmente me importar. Qual seria o futuro dele? O que ele vai se tornar, vivendo assim na rua? Um bandido, como tantos outros que já existem? As perspectivas não são boas para o lado dele... sem estudo, sem uma habilidade... sem emprego, sem dinheiro! Mesmo como bandido, a concorrência é bem grande em Nacala!

Passei a procurar por ele e levar ele comigo, onde eu fosse “para vigiar meu carro”. Nos intervalos entre uma loja e outra, eu perguntava mais coisas e tentava descobrir qualquer resposta verdadeira.


Por fim, esse ano, decidi tomar um passo a frente. Mas primeiro, calculei o custo.

Tantos precisam de ajuda... mas ainda assim, poucos realmente tomam a mão estendida e realmente a usam para o bem, para sair do lodo e mudar de vida. Mas se não começarmos com um, se não acreditarmos em ninguém... que diferença faremos?

Pesei na balança e decidi seguir em frente.


Combinei com Abubacar de visitar sua casa algum dia. Até aí, ele já tinha reconhecido ter uma mãe com quem morava. Não deu certo o dia que combinamos e, segundo ele, ele ficou toda manhã esperando e pensando: “Essa senhora não está bem, falou que vinha e não veio!” Outro dia procuramos por ele em toda cidade e nem sinal!


Sexta passada, eu ia com Rito (um dos professores) conhecer algumas escolas para ele decidir onde ia estudar no ano que vem... e encontrei Cinaro (outro menino de rua). Visitei a família dele, descobri que tem pai, mãe e 4 irmãos. O pai é bem simples e sem estudo. Vivem no mais baixo da pobreza urbana que descrevi acima... é de doer o coração.


Na mesma manhã, encontrei Abubacar na rua de novo. Ele me levou para conhecer sua casa. É vizinho de Cinaro! Sua mãe reclamou comigo que ele não se comporta, não ajuda muito em casa e sempre foge prá cidade. Às vezes traz algumas moedas para ajudar em casa, mas nunca é muito. Não toma banho. Dei-lhe uma bronca. J


Nenhum deles vai à escola (Cinaro e seus 2 irmãos com idade de estudar e Abubacar). Ninguém tem documento, nunca foram matriculados... mas a escola está a menos de um minuto andando da casa deles! Combinamos de nos encontrar na escola essa semana para irmos juntos ao registro fazer os documentos.


Chego na escola essa manhã... Abubacar vem reclamando na minha direção: “Eu fiquei a procurar... onde está essa senhora?”, mas o sorriso radiante me mostra que ele não está nem um pouco chateado. Encontro sua mãe, também pronta prá ir para o registro. A outra família é um pouco mais complicada, mas reunimos todos e lá vamos nós para o registro.


Enquanto ando nesse bairro, em meio a picadas de areia, cheeeeias de lixo, olho ao redor e penso: “No Brasil, eu estaria preocupada de entrar num bairro assim de carro. Ficaria vigiando para ver se não deparava com traficantes, ou coisa do tipo. Aqui, estou num bairro normal. Há casas grandes, feitas de cimento com telhados de chapa... isso é classe média. É verdade, há casinhas bem pequenas e ‘marfanhadas’, mas não dá medo!”


Nada dá certo no registro PORQUE NENHUM DOS PAIS TEM DOCUMENTO!!! Que situação bizarra! Mas é a realidade daqui! Lá vamos nós tentar providenciar documentos para os pais, para que os filhos possam tirar os seus e então estudar no ano que vem!Mas o que fez meu dia foi a mãe de Abubacar encorajando a mãe de Cinaro quando alguém diz que os filhos dela, mesmo que matriculados vão fugir da escola: “Desde o dia que ela foi lá em casa, Abubacar tomou banho todos os dias e até penteia o cabelo! É possível o coração mudar!”


Quero ser guiada por Seu Espírito, Senhor!


Quero vê-los como Tu vês!


Quero seguir os passos de Jesus


E amá-los com Teu amor!



Quero que eles saibam que Tu os amas,


Quero ver seus futuros transformados!


Sei que em mim não tenho poder,


Mas Tu és Aquele que transformas corações!

sábado, 11 de setembro de 2010

Viv Grig - missionário que treina obreiros para atuar em favelas

Na revista Cristianismo Hoje de Agosto/Setembro de 2009 saiu uma entrevista com o neozelandês Viv Grigg. Ele escreveu, entre outros livros, um chamado "Servo Entre os Pobres". Esse livro teve um grande impacto na minha vida, quando o li há mais de quatro anos. Foi por meio dele que comecei a entender os diferentes níveis de pobreza e nossa forma de trabalhar com cada um deles. Foi através desse livro que descobri que meu chamado é primeiramente aos pobres e muita coisa foi clareando em minha mente através das explicações do Sr. Grigg.

Fiquei feliz em saber que ele visitou o Brasil e está planejando um treinamento de obreiros em missões urbanas aqui (veja o último parágrafo).

Abaixo copiei algumas partes interessantes da entrevista publicada.

(...) quando um indivíduo começa a abandonar determinados pecados - alcoolismo, dependência de drogas, violência doméstica (...) a situação econômica da família começa a se transformar, e essas são graças imediatas da conversão. (...) O Senhor quer que tenhamos o suficiente para viver. Essa parte da doutrina da prosperidade é correta, bíblica e muito boa para os pobres. No entanto, isso não inclui mansões, carros de luxo e um estilo de vida esbanjador.

Os ensinamentos mudam na medida em que as pessoas ascendem em seus padrões de vida. O problema da teologia da prosperidade é que ela não faz essa distinção; ela ensina que todos
devem ter um padrão de vida nababesco, mas isso é anátema para Deus. Existe um padrão de vida que é justo - e que não é igual para todos. Mas é fácil perceber qual é o estilo de vida justo: é possível a um rico viver de forma simples e usar sua riqueza para ajudar os outros. (...) Outro problema da teologia da prosperidade é que ela afirma que, se as pessoas derem, Deus vai abençoar. Não existe nada na Bíblia que diga que, se você der dinheiro, então Deus vai lhe abençoar. Existe uma manipulação para o ganho pessoal, que é o pecado de Ananias e Safira. E eles morreram, porque Deus amaldiçoou esse pecado.

Pobreza é sempre uma maldição, e o Senhor quer que nós tiremos as pessoas da pobreza. Mas a riqueza, por outro lado, afasta as pessoas de Deus e remove delas a percepção espiritual. Então, existe um grande perigo na riqueza, e o melhor é que nos afastemos dela. Deus quer nos abençoar com bençãos materiais. Isso não é um problema. A pobreza é uma maldição, mas os pobres são abençoados. A riqueza é uma benção, mas os ricos são amaldiçoados.

"Ganhe muito, consuma pouco, guarde nada, dê generosamente e celebre a vida."

A marca de um apóstolo é o sofrimento, é estar entre os pobres. Os dízimos não devem ser dados para financiar sacerdotes ou igrejas. Na Bíblia, os dízimos eram dados em primeiro lugar para cuidar dos pobres. O que era dado aos levitas era o dízimo dos dízimos, ou seja, um centésimo do valor total.

Qual é o objetivo do avivamento? O crescimento de igrejas? Não, o objetivo do avivamento é ver o Reino de deus em cada núcleo da sociedade.

Jesus disse que os pobres sempre estariam entre nós. Portanto, não creio que seja possível erradicar a pobreza. Mas acredito ser totalmente viável reduzi-la, baixá-la a níveis mínimos.
Existem diferentes níveis de pobreza e cada um deles exige um tipo diferente de ação. Recitar a frase "não se deve dar o peixe, mas sim ensinar a pescar" não ajuda em nada, porque afirma que a única forma de se combater a pobreza é dar às pessoas meios de trabalhar. Mas essa é resposta errada para a viúva, para o órfão. Para esses, você simplesmente tem que dar o peixe. Se o governo está oferecendo assistência social a essas pessoas, especificamente, é uma boa ação. Já outro nível de pobreza exige como resposta a possibilidade de devolver ao povo o direito sobre a terra. Para aqueles que podem trabalhar, abrir o mercado de trabalho é o caminho correto. O que não podemos é pôr todos os pobres no mesmo saco, achando que a solução para os diferentes tipos de pobreza é uma só.

Estou no seu país para tentar conseguir cinco mil brasileiros dispostos a encarar um desafio. Tenho entrevistado pastores que trabalham em favelas de vinte e três cidades por todo o mundo, a que pergunto em que áreas eles necessitam de treinamento. A partir dessa percepção, criamos um programa para líderes de projetos entre os pobres. Estou em contato com seis seminários diferentes no Brasil para viabilizar a aplicação desse porgrama aqui. Precisamos levar estudo teológico para as favelas. Atualmente, cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo vivem em favelas. Os ministros do Evangelho que atuam nessas áreas precisam de mais formação teológica. Sem uma reflexão sobre as questões profundas com as quais eles se deparam lá, as igrejas continuarão a atuar de uma forma muito tradicional, isoladas da comunidade, incapazes de transformar o tecido social no qual estão inseridas. Só que não se pode fazer isso sem que os líderes estejam treinados. É preciso evangelizar, claro, mas sempre provocando trasformação social.




segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Idugo e a Fidelidade de Deus

Há 6 anos atrás, fui com uma equipe prá uma vila chamada Pebane, no litoral da província de Zambézia, onde vive o povo Muniga. Passamos 3 semanas acampados numa igreja em construção, ajudando um jovem pastor e vários outros jovens que tinham passado pela escola bíblica em Inhaminga. Foi um dos lugares mais difíceis que visitamos naquela época, pois foi nosso primeiro contato com regiões muçulmanas em Moçambique.
Enquanto estávamos lá, ouvimos sobre uma ilha perto da costa chamada Idugo. Nos contavam que nessa ilha não existia sequer um cristão e que muitas pessoas viviam ali sem nunca terem ouvido o nome de Jesus. A cada conversa que tínhamos sobre a ilha, mais interessados ficávamos em visitá-la. Por fim marcamos dois dias para pelo menos conhecer a situação real da ilha.

A viagem foi longa e difícil, pois a maré estava baixa quando chegamos de barco e tivemos que andar 5 horas com todas as coisas até o lado povoado da ilha. No caminho encontramos uma senhora que nos disse haver uma pequena congregação católica ali e gentilmente nos acompanhou até a casa do líder.
Esse líder nos recebeu imediatamente com muita hospitalidade, sem nada perguntar depois de ouvir que éramos cristãos. Serviram-nos água para tomar banho, uma refeição e só então ele começou a nos perguntar de onde viemos, quem éramos e o que queríamos fazer ali.


Conforme conversávamos com ele, pessoas juntavam-se ao nosso redor e em breve tínhamos uma platéia de pelo menos umas cem pessoas ouvindo. Pregamos o evangelho, contamos nossos testemunhos e eles nos fizeram muitas perguntas.

A noite, após o jantar todos voltaram novamente com mais perguntas. Nós estávamos exaustos depois da longa caminhada da manhã e nos revezávamos dormindo e conversando com o povo (enquanto uns conversavam, outros dormiam hehe)! Na manhã seguinte, muito cedo voltamos para Pebane, mas certamente deixamos um pedaço de nossos corações ali.

Depois dessa viagem passei dois anos no Brasil e, mesmo depois de voltar para Moçambique em 2007, nunca mais tive a oportunidade de chegar a essa ilha. Mesmo assim, nunca me esqueci deles. Sempre orei para que Deus enviasse alguém para pregar para eles.

Na verdade, enquanto estava no Brasil em 2005 e 2006, decidindo se voltaria a Moçambique ou não, a ilha de Idugo estava constantemente em minha mente e a memória daquele lugar foi um dos fatores determinantes para meu retorno. Lembrar que em Moçambique existem inúmeros lugares como aqueles, de pessoas que nunca ouviram o evangelho explicado para eles, lugares de difícil acesso e extrema necessidade em todas as áreas.

Há uns dois anos ouvi que um casal de jovens moçambicanos cristãos havia sido enviado para viver nessa ilha para através de suas vidas brilhar a luz de Jesus para aquele povo. Eu não tinha mais informações e não sabia se eles ainda estavam lá. Hoje vi esses vídeos:

http://www.youtube.com/watch?v=ZhYv7oJFS5k

http://www.youtube.com/watch?v=2LWUc7as758

e assisti um outro vídeo que não está no youtube, mas fala sobre a visita de outros brasileiros para encorajar esse casal e inaugurar poços de água ali.

Como Deus é fiel! Muitas vezes as necessidades são muito maiores do que nossa capacidade... ainda assim, Deus nos chama para orar, orar, clamar, falar da necessidade para outros que possam ser tocados e orar ainda mais...
Algumas vezes Deus nos permite ser a resposta da nossa própria oração! Outras, Ele levanta outros para suprir as necessidades, mas nos permite ver o nosso sonho realizado por outras mãos e pés! Ainda outras, nunca ouviremos sobre o resultado de nossa oração!
Mas independentemente do que aconteça... quero continuar orando, clamando, falando e obedecendo a Deus a cada passo... porque os resultados são eternos!

Continuo orando para que Deus desça com avivamento sobre a ilha de Idugo. Que eu saiba, ninguém ainda entregou sua vida para Jesus, mas eu creio que uma grande colheita está por vir naquele lugar! E quero fazer parte daqueles que gerarão isso, seja só por oração ou por ações guiadas pelo Espírito!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Papai fala através do arroz!





























Em Cuamba, numa manhã um pouco fria, toda equipe estava sentada em círculo, aquecendo no calor do sol e papeando, enquanto esperávamos a água esquentar para o chá do matabicho (café
da manhã).

Como geralmente acontece quando pessoas famintas esperam comida, começamos a falar de diferentes comidas que gostávamos e eu logo falei minha favorita "do mato": "Eu amo 'arroz da machamba' (arroz orgânico, bem fresco, recém tirado da plantação)!!"

Outros da equipe concordaram e eu fiquei sonhando com o cheirinho maravilhoso que minha memória puxava de tempos passados!

Em menos de 15 minutos, Rosalina pediu licensa no quintal:
"Odi"

"Odini", respondeu alguém no nosso meio.


A menina toda cheia de vergonha caminhou um pouco para frente e alguém logo recebeu o que ela carregava na peneira sobre sua cabeça.

"É arroz da machamba!!!!"
Eu nem conseguia acreditar! Foi incrível! Como Deus pode ouvir pequenos desejos do fundo do nosso coração, coisas tão simples e torná-las reais?!

Parece que essa é a forma que Ele escolhe para dizer:
"Minha filha, te amo! Ouço cada anseio do seu coração e me importo com eles. Veja, se ouço até o mais simples e posso responder com tanta rapidez, nunca duvide que ouço os mais profundos e responderei no tempo exato!" Meu coração se aqueceu, até nem precisar mais do calor do sol!


sábado, 15 de maio de 2010

divagando no passado

Hoje depois que cheguei de um dia cheio em Rassim, não tinha forças para mais nada.
Não tinha um filme bom para assistir, não tinha mente para ler meu livro, nem tinha comida em casa para comer (preguiça de cozinhar, confesso)! E para piorar, nem a Dora estava aqui prá gente prozear! hehe...
Então, comecei a reler posts antigos (2005/2006)! Fiquei impressionada pq, 1. muita coisa não mudou! As coisas se repetem, revelações se renovam, mas tudo no fim, tem um mesmo princípio! hehe Mas 2. Hey, como eu pensava que sabia de tudo! kkkk acho que ainda devo ser assim, mas olhando o passado, acho que fica mais claro e notório! Eu explicava tudo, tinha teoria para tudo! Creio que depois de alguns tombos da vida, pauladas mesmo, não sou mais tão "sabe-tudo confiante"! Apesar disso, sou confiante em quem sou... só não sei qual é minha opinião sobre as coisas mais! hehe...
Será que isso é bom?
Sei lá!

Culpa, medo, condenação.... ou simplesmente AMOR?

Ouvindo Wayne Jacobsen, fiz uma decisão: Nunca mais quero usar a vergonha, o medo ou a culpa para produzir qualquer mudança em qualquer pessoa. Isso é religião e não vida!
Jesus, mesmo antes da cruz, nunca usou a vergonha ou a culpa para produzir qualquer coisa em qualquer pessoa. Ele sabia que isso provoca mudanças externas, mas nada real, eterno, no interior. ELe não tem interesse em mudanças externas.
A religião tenta conformar cada pessoa ao todo, através de recursos como esses (vergonha, medo e condenação). Por isso tuo o que ela produz é vazio, oco, falso e hipócrita.
Cristo usava somente uma coisa: O AMOR! Pois ele sabia que só um relacionamento de amor com ele nos levaria à transformação do nosso interior, no mais profundo do nosso ser. Isso era tudo o que ele queria.
O resultado podia não ser tão simples, rápido e visível, mas certamente seria real!
A história de Pedro o negando mostra-nos isso. Jesus permitiu que Pedro o negasse, mas mesmo antes que acontecesse lhe deu sua palavra, para que ele não desfalecesse quando o tempo chegasse, mas soubesse que ele ainda continuava a amá-lo. Se fosse eu, tentaria poupar Pedro de tão grande erro, tão grande trauma. Mas Ele não o poupou. Pois isso seria religião, conformidade exterior e não era isso que Ele procurava ou desejava.

Pensando no Amor de Deus

"Teu amor é lindo,
Teu amor é incomparável,
Não há outro amor!

Teu amor não muda
Mas teu amor nos mudar
Teu amor nos transforma
Pela força do Teu Poder!"

Às vezes pensamos no amor como algo suave, doce e por isso concluímos que o amor é algo fraco. Mas Deus escolheu esse único meio para nos salvar e nos fazer voltar à sua imagem perfeita. Por que Ele escolheria o amor senão porque Ele sabia que não há poder maior, não há nada mais poderoso do que isso: o amor!?
O que a polícia, a lei, o chamboco não conseguiu, o amor pode fazer!
O amor é mais forte que a bomba atômica.
Ele nos transforma de dentro para fora e ao nosso redor!
Enquanto estávamos separados de Deus por nosso pecado, o amor de Deus nos alcançou e nos trouxe de volta. Quem nos separará do amor de Deu? Se nada é mais forte do que ele e nem mesmo o pecado pôde nos manter afastados dele!?