sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Aventura em Chinde

A aventura começara no dia 09 de Novembro, enquanto nossa equipe de 8 pessoas saía de Inhaminga às 5h da manhã, rumo a Marromeu, à margem do Rio Zambezi. Nosso destino final: Chinde, uma vilazinha isolada, situada numa ilha pelo Rio Zambezi (bifurcado) e pelo Oceano Índico.

Mas agora já estávamos na última noite da nossa viagem. O lindo céu estrelado dizia-nos que estávamos bem longe de qualquer iluminação artificial, no meio do mato africano, bem no fim do mundo como costumamos dizer! Eram cerca de 10h da noite e eu seguia os passos rápidos de Eduardo, um jovem moçambicano que nos acompanhara por 4 dias. Eu carregava minha mochila com material para acampar nas costas e ele um gerador bem pesado na cabeça. Nada disso desanimava o espírito aventureiro que no frescor da noite se tornava ainda mais intenso do que durante o calor do dia. Ele gritava:
“Esse não é conGElADOR, esse é o juRADOR, ele jura que vou chegar ao trator sem cair, nesse caminho escuro e cheio de covas!”
Estávamos no meio de uma fila com mais de 50 pessoas, entre membros da igreja de Chinde Sede, nossa equipe e membros da igreja da zona de Nhamatica (80 km de Chinde), todos carregando algo grande ou pequeno, pesado ou leve, nos trinta minutos a pé que separavam a igreja onde acabáramos de mostrar o filme de Jesus e o trator que nos levara até onde a estrada permitia passagem.
A cena parecia irreal, tirada de um filme fictício. Os passos eram cada vez mais rápidos já que a carga parecia pesar mais a cada minuto. Enfim chegamos ao trator, carregamos as coisas, subimos no atrelado e silêncio... nada do trator pegar. Claro que a bateria tinha que ter problema! Nada pode ser tão simples! Descemos todos, e começamos a empurrar. Era muito pesado e na escuridão gritávamos tentando coordenar todos para empurrarmos juntos. Para frente ou para trás? O trator estava numa posição terrível, entre machamba (plantação = terra fofa = atolar) e a estrada com mais machamba do outro lado. Descobri que o volante de trator não vira com ele desligado, portanto, nada de pegar no tranco virando para entrar na estrada.

Ok, para frente! Vamos!
Pum, atolados!
Então tem que ser para trás!
Motorista, desliga os faróis, se não piora a bateria!
Pum, atolados atrás também!
E agora?
Já falamos para tirar o atrelado e parar de empurrar esse peso todo!
Não, agora vamos só nós homens. Mulheres, sentem que vamos fazer o serviço direito!
Ok, não tem problema, vamos assistir as estrelas cadentes e fazer desejos para que esse trator pegue!
Pum, atolados na frente de novo!
Não falamos, agora puxem para trás sozinhos!
Pronto, agora obedeçam-nos e tirem o atrelado!
Ok.
Antes de empurrarmos, vamos orar! – os jovens disseram.
Senhor, veja nosso sofrimento, tenha misericórdia de nós. Estamos cansados, faça esse trator pegar! – orou Eduardo desesperado quase chorando.
Agora vamos empurrar!
Brum, brum!
ALELUIAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!
Deus foi bom demais conosco!
Era meia noite, e lá fomos nós! Meu coração batia forte enquanto passávamos pela trilha estreita com o atrelado cheio de homens, mulheres e bebês. Eu vira a estrada na vinda e meu coração já saltara de medo, vendo os sulcos fundos de machambas tão próximos à roda do trator. Só conseguia imaginar uma escorregadela e o atrelado virando com tantos bebês e pessoas. Mas isso era minha carne medrosa. Agora no escuro, eu sentara no meio, para não ver nada. Olhei para cima e não pude deixar de me censurar pela falta de fé num Deus tão poderoso para manter tantas estrelas em seus devidos lugares e comecei a cantar. Simona, que também estava preocupada do meu lado, me acompanhava e logo fechamos os olhos e eu tirei um cochilo. Quando acordei já estávamos perto do rio, onde passaríamos a noite, esperando o barco na madrugada seguinte.
É, Deus continua fiel e meus anjos musculosos!
Eram 2h da madrugada e estendemos nossos sacos de dormir no atrelado. O restante da igreja se abrigou numa casa próxima e todos tentaram dormir enquanto milhares de mosquitos esfomeados nos rondavam mesmo depois de muito repelente. Enquanto deitava, pensava em como valera a pena tanto sacrifício da última semana.
Quando saímos de Inhaminga, na chuva, vimos Deus nos guardar com sua mão poderosa no caminho para Marromeu. O carro perdeu o controle numa parte cheia de lama e só não virou ou bateu numa árvore pelo esforço dos anjos nos guardando. Incrível que cinco minutos antes disso, todos tínhamos sentido um incômodo no coração e começáramos a orar em línguas e interceder. O Espírito Santo é fiel em nos avisar do que vem adiante e também é fiel em nos proteger de todo perigo.
Ao chegarmos a Marromeu, preocupados se o equipamento para o filme de Jesus poderia ser protegido da chuva no barco, encontramos a pequena balsa que nos levaria para Marromeu coberta e com um porão seco e seguro.

As 9h de viagem rio abaixo fora tão tranqüila, mais parecia um passeio de férias.


Quando chegamos a Chinde, já havia escurecido e ninguém estava na praia para nos esperar. Logo crianças nos disseram que a igreja estivera ali nos esperando, mas tinham ido embora. Foram chamá-los. Quando terminamos de tirar as coisas do barco, o pastor chegou e nos guiou até sua casa.
Nos dias que se seguiram conhecemos melhor a família querida do pastor, e vários membros da igreja que vinham passar o dia conosco, buscar água, fazer comida e nos servir de qualquer maneira que pudessem.
Era a primeira vez que a igreja recebia uma visita e eles estavam tão felizes. Andavam pela vila cantando!

Tivemos um dia de ensino com as mulheres da igreja e os homens cozinharam, algo muito diferente para a cultura moçambicana.
No domingo choveu quase o dia todo. Ainda assim, pela manhã, depois de orar e a chuva parar por 30 minutos, duas equipes saíram para pregar em igrejas diferentes. A chuva parou tempo suficiente para irem e voltarem sem se molhar muito. A noite queríamos mostrar o filme em Nhamatica, mas Deus, sabendo o que nos esperava naquela zona, deixou chover a tarde e noite toda. Tivemos um tempo de louvor espontâneo na casa do pastor e foi muito precioso.
De segunda a quarta tivemos a conferência de jovens. Cerca de 120 jovens compareceram, de 10 a 60 anos de idade. Todos muito sedentos e atentos à palavra. Foi precioso ensinar a eles que ser cristão é mais do que ir à igreja e cantar por horas a fio a mesma canção. Do pastor ao mais novo, ninguém sabia o que era buscar a Deus, sentir a presença de Deus, ou adorar de coração. Tivemos um tempo precioso de adoração juntos no último dia.
Na quarta-feira, logo depois de sair da conferência às 14h e de rodar toda vila tentando organizar o trator do Ministério de Agricultura que nos levaria para Nhamatica, saímos. Eles haviam nos dito que o trator “estava em condições”, mas a bomba do motor não funcionava, então o combustível ia direto de um bidão para o motor; a roda dianteira tinha um caroço do tamanho de uma bola de futebol oficial, esperando para se arrebentar; e a bateria estava morta, como mais tarde tivemos a infelicidade de descobrir.
Mas as 4h do caminho de ida foi tranqüilo com muita música e sacolejos.
As pessoas nos esperavam em Nhamatica com grande expectativa. Mostramos o filme ali pela primeira vez e queriam que ficássemos a noite toda com eles. Não podíamos e graças a Deus não cedemos aos apelos deles. Se tivéssemos saído na manhã seguinte, nunca chegaríamos a tempo de pegar o barco que nos levaria de volta a Marromeu.
Apesar da nossa indecisão muitas vezes, Deus nos guardou em todo tempo, e ali, às 3h da madrugada, deitada no atrelado do trator, com a legião de mosquitos testemunhas, eu descansava segura de que cumpríramos nossa missão ali.
Às 5h todos já estávamos de pé, às 6h o barco chegou, às 16h chegamos à Marromeu (depois de uma linda viagem vendo crocodilos, pássaros exóticos e dormindo sentados ou deitados no fundo do pequeno barquinho a motor que nos levava rio acima). Exaustos e imundos, fizemos pequenas compras no mercado de Marromeu antes de seguirmos viagem a Inhaminga. As três horas passaram rápido para os 7 passageiros que dormiram como pedra amontoados no carro, mas lentamente para a pobre motorista que tentava ficar acordada na mesma estrada em que quase tivemos o acidente na ida.
Inhaminga, doce Inhaminga, nos recebeu de braços abertos, com camas macias (não mais cadeiras duras para meus ossinhos doloridos) e chuveiros gostosos (não mais a crosta de protetor solar/poeira/repelente/poeira/protetor/poeira).
Enfim, valeu a pena!

Atravessando a bahia de Nacala...

Para mim um dos grandes testes de fé em Outubro, foi a volta de Rassim com toda equipe, de barco.

O vento estava contrário ao barco e levamos 1h30 no trajeto que normalmente levamos de 15 a 20 minutos. O vento batendo na vela, inclinava muito o barco, as ondas faziam-nos saltar, e tivemos que fazer um grande zigue-zague para velejarmos no sentido contrário à correnteza. Eu não sabia o quanto eu tinha medo das forças naturais, até passar por situações assim.

O pior era saber que a pequena Keren estava no barco conosco! Que responsabilidade!

No final, quando chegamos a salvo à margem, eu pensei: “Só Jesus mesmo para me levar a emoções como essa! Ainda mais, só Jesus para me fazer voltar a entrar em um barco!”

E lá fomos nós para Chinde de barco de novo!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007



Demócrito


Demócrito é um jovem que é cego desde os 3 meses de idade. Converteu-se ainda bem jovem e logo que conseguiu economizar um pouco de dinheiro comprou uma Bíblia. Cada dia pedia algumas moedas para sua mãe e sempre que conseguia, pagava alguém para ler partes da Bíblia para ele. Ele não só queria saber o que estava escrito, mas também onde estava localizado: livro, capítulo e versículo.


Hoje, aos 18 anos, é uma Bíblia ambulante. Quase em cada frase que fala há algo da Palavra inserido. Ele participou da Conferência conosco e no final de cada pregação vinha pedir-nos as anotações daquela palavra.
Ele nos disse: "Eu não posso anotar, mas se você anotar para mim, depois posso pedir para alguém ler os versículos de novo para mim, para que eu possa meditar e passar para outras pessoas o que ouvi nesses dias."


Ao ouvi-lo contar seu testemunho, meu coração alegrou-se ao ver algo tão genuíno de Deus na sua vida. Ao mesmo tempo pensei... esse não aceitou qualquer desculpa, mas venceu os obstáculos! Isso é que é um vencedor!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Outros Acontecimentos

Muita coisa aconteceu nesse mês de Setembro!!
Em breve a Suka News sairá, mas aqui vão algumas fotos!

Conferência de Embaixadores no início do mês... que grande alegria reunir toda família!

Fomos para Cuamba, na Província de Niassa, visitar os Embaixadores ali.
Encontramos a mãe de um dos alunos que está na Escola Vocacional!

Formatura da primeira turma da Escola Vocacional!

Tb tem que descansar, né!? e ser atacadas por peixes na praia!

Continuamos indo para Rassim toda semana!

CONFERÊNCIA DE JOVENS EM RIBAUE

Visão realizada traz alegria ao coração.
Desde o início do ano temos planejado uma Conferência de Jovens em Ribaue, vila onde o Embaixador Jorge tem trabalhado há dois anos.

Prédio cedido por uma Igreja para a Conferência

Enfim, nesse mês de Outubro a visão se concretizou.
Realmente tivemos a certeza de que não foi nosso plano somente, mas um desejo do coração do Pai se realizando.

O tema era "Nascidos para Esse Tempo" e nosso objetivo de levar os jovens a entenderem que foram criados com um propósito.
Os três pontos mais repetidos na conferência foram:
1. Deus tem um plano para sua vida
2. O Diabo também tem um plano para sua vida
3. Escolhei hoje a quem seguireis!

Apesar de ser um tema tão simples, para a maioria foi um grande revelação.
Podíamos sentir a presença de Deus em cada reunião e o ambiente foi sendo preparado, até que no último dia tivemos um tempo tão especial de ministração. Depois da palavra do Jorge, alguns jovens vieram a frente para oração. Era sobre outro assunto, mas no meio da ministração alguns jovens foram batizados com o Espírito Santo.
Quem somos nós para dizer "espera" quando o Espírito Santo quer agir?

Abaixo estão algumas fotos...

Inscrição... eu e Dora!

Se não houver corais apresentando, não é África!!

AIDS

Quantas vezes já ouvimos os números alarmantes da porcentagem de pessoas contaminadas com o vírus HIV/AIDS na África? Das 36 milhões de pessoas contaminadas com o vírus no mundo, 25 milhões se encontram na África subsaara. Em Moçambique, calcula-se que 16% da população adulta está contaminada.

Mas, na realidade, o que representam esses números para você? E para mim? Muito difícil dizer, até o momento de enfrentar uma situação em que cada uma dessas estatísticas passam a fazer um sentido pessoal e individual, PARA MIM!

No meu caso, isso aconteceu nessa semana que se passou.

Fátima, uma das líderes da igreja em Nacoto, estava muito doente há mais de um mês. Várias vezes tínhamos ido visitá-la. Desconfiávamos de uma severa infestação de vermes, ou talvez algum fungo na pele. Orávamos por ela e cada vez que voltávamos encontrávamos seu espírito alerta, seu emocional bem, mas seu corpo cada vez mais fraco e doente.

Por fim, um dia mãe Nicky foi visitá-la e todo seu corpo tinha feridas abertas! Nada que se comparasse com o que tínhamos visto na visita da semana anterior. Em choque, Nicky decidiu levá-la ao hospital. Dois dias internada no hospital usando uma pomada e tomando outros comprimidos receitados pelo médico, ela já estava bem melhor. Mas para entender bem o que os exames estavam indicando e como ela estava sendo tratada, no domingo fomos conversar com a médica.

Sem cerimônia nenhuma a médica nos explicou que ela tinha um caso forte de psoríase, mas que a doença de base dela era o HIV. Eles haviam testado e ela era HIV positivo. E continuou falando sobre o que iam fazer, exames para contar as células de defesa para ver se ela podia começar a ser tratada com medicamentos anti-virais que o governo provê gratuitamente e assim por diante.

Mas Nicky, Dora e eu paramos no início da conversa e ali nossa mente ficou por algumas horas!

Como pode? Sim, é verdade, sabemos que grande parte das pessoas com quem lidamos são aidéticas, mas como não ficar chocada quando a pessoa em questão é uma das nossas amigas.

É depois desses momentos que...

... entendemos melhor quando a maior preocupação de uma pessoa aqui é dizer que “está bem de saúde”.

... sabemos porque há tanto temor quando alguém fica doente. Nunca se sabe se é simplesmente uma gripe passageira, ou algo que tirará a vida da pessoa em poucos dias.

Mas na verdade, como entender o que realmente passa dentro da mente e do coração de um povo assim? Se consideramos as estatísticas (que são subestimadas, pois muitos têm o vírus mas não sabem), na nossa escola, de cada turma de 40 alunos, pelo menos 6 têm o vírus do HIV!!!

A única coisa que me vem a mente é... Senhor, eles precisam de ti! Os que já estão contaminados precisam de ti! Os que ainda não estão tb! Todos! Eles só precisam de ti!

E o que me resta senão crer que não importa que tipo de vírus Fátima tem... a vontade de Deus é que seus filhos tenham uma vida saudável, para o servirem todos os dias da sua vida! É só nisso que posso crer!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

útlimos acontecimentos...


Última semana de Agosto, viagem para Nampula... para participar do Encontro Profético!
Oh, família Bastos, esquecemos de tirar foto com vcs! Que feio! Fez falta agora que já bateu a saudade!!!
Só temos foto das viagens... ida e volta de chapa cem! ou talvez seja chapa sem... sem segurança, sem conforto, sem lugar prá mexer, sem ar condicionado, sem ... kkkk
Mas não foi tão ruim. Fora que em lugar de 15 pessoas como dizia a placa tinha 19, mas tudo bem!
Na volta o mini bus que devia caber umas 18 pessoas confortáveis ou 23 desconfortáveis, tinha 28! kkkk aliás, 27, pq no fim acabei pagando para uma pessoa a mais, só para ter lugar para nossas mochilas! Enfim, fomos e voltamos em paz e segurança (segurança privada, dos anjos)!


Quando voltamos de Nampula, níver da Dora!
Como não podia faltar, no rito de iniciação aos nívers na África, ela foi sequestrada por um bando de nkunha (estrangeiros) malucos: Quiel, Jana e Suka.

Levamos ela vendada e algemada para a casa da Debs, onde teve festinha e presentes! Fala verdade, Dó, valeu a pena todo o sofrimento! :) kkkkk
E agora, no Brasil vc já pode se casar sem seus pais saberem... e nos EUA vc pode beber! Quantas mudanças na sua vida, né?!



Acompanha fotos...... mas elas estão emperrando, fica para outro dia!!