terça-feira, 3 de abril de 2007

Um dia A-normal na nossa vida!

Nossa vista!!!

Hoje foi um dia bem corrido, mas ao mesmo tempo bem corriqueiro, daqueles que quando descritos dá-se uma idéia bem clara de como é nossa vida.


Às 5h eu e Dora acordamos. Cada uma procura seu canto para começar o dia buscando a Deus. A Dora geralmente foge para algum canto do campus, tendo que lutar com mosquitos e moscas (o fim do turno daqueles e início dessas). E eu fico bem protegidinha na minha cama, com meu mosquiteiro bem colocado embaixo do colchão porque não gosto de lutas a essa hora da manhã. Hoje Dora não quis enfrentar a guerra lá fora, então ficou na mesa da nossa sala de jantar (do outro lado do quarto)!


Às 6h ela vem para dentro do meu refúgio e juntas temos um tempo de oração, que ora varia para intercessão, ora adoração, ora o que Espírito guiar. É o momento quando compartilhamos algo que tem incomodado nosso coração, algo que Deus tem falado, ou simplesmente começamos orando para ver aonde chegamos.


Às 6h30 é hora de nos apressarmos. Enquanto uma arruma a mesa do café, a outra arruma a cama. Cada dia uma demora mais para se arrumar e a outra tenta compensar a lerdeza da companheira. Geralmente sabemos exatamente o que a outra tem que fazer então cada uma dá ordens à outra!


Tipicamente saímos correndo de casa para chegarmos pontualmente às 7h no devocional na sala de aula com os alunos. Já chegamos com os espíritos prontos para o tempo de adoração e busca ao Senhor conjunta e por fim a palavra, ministrada esses dias pelos próprios alunos.
Hoje Dora ensinou a primeira aula e eu, a segunda. Enquanto ela começou às 8h15, eu desci para dizer para Paduro (nosso ajudante) o que fazer para o almoço, preparar aula, passar alguns relatórios que a Nicky tinha me pedido, pegar algumas fotos dela que eu precisava e dar uma arrumadinha por cima na casa.
9h15 eu subi correndo para minha aula, enquanto ela desceu para escrever emails no computador. A aula foi boa, apesar de às vezes ser difícil saber o que passar para eles em tão pouco tempo. Agora estou ensinando sobre igreja nos lares.


10h15 eu desci, pegamos a chave da casa da Deborah com a Nicky e lá fomos nós para a cidade com nossa Shizzaan (motinho cinquentinha). Paramos na casa da Deborah. Era para abrirmos para o trabalhador dela dar uma limpada, e não juntar muita sujeira para quando a família chegar com o novo bebê, mas o trabalhador não estava. Deixamos recado com a vizinha de que voltaremos amanhã.
Passamos numa loja para comprar créditos para o celular do Jorge e seguimos para a lan house, chamada TDM. Ali é hora de passar raiva. Dos três computadores (ah sim, eram 2, mas agora arranjaram outro), só um estava funcionando. A Dora bem que tentou usar o outro, mas pifou de vez. A conexão terrível não nos deixava fazer nada! Mas enfim, depois de duas horas conseguimos enviar os emails que tínhamos escrito em casa, e copiar os emails que recebemos. Sem tempo para ler ou responder emails ali.
Uau, já são 13h45 e temos que correr para a Mcell, uma das companhias de telefones aqui, para ver se conseguiram configurar meu celular para acessar a internet e nos vermos livres dessa terrível lan house. NADA! A pessoa que faria isso só entra às 15h e nós não podemos esperar.


Saímos da cidade às 14h15 e em 30 minutos exatos estamos em casa. Tempo suficiente para engolir um almoço gostoso de arroz, feijão e peixe grelhado, enquanto releio minha última lição de Makua. Em 15 minutos estou pronta para novamente sair correndo para a vila para minha aula de Makua, que começaria às 15h, mas como é a primeira vez que vou sozinha, erro o caminho umas duas vezes, e enfim chego uns 10 minutos atrasada.
Minha aula é com Zita, sua mãe e sua vovó. O tio, a tia, os sobrinhos, filhos, vizinhos estão todos ali também. Sentados na esteira, filha e mãe me explicam o que eu pergunto, e a avó, que não fala português, dispara em Makua, conversando como se eu entendesse! Quando eu falo Makua, as crianças riem e repetem! E assim a hora passa rapidamente. Quando o limite do que posso aprender chega, fechamos os cadernos e abrimos a Bíblia. Zita quer saber o que é a Páscoa, então passamos meia hora conversando sobre a páscoa no Antigo Testamento e a Ceia no Novo Testamento.
O sol já está abaixando e é hora de começar o caminho de volta para casa. É a primeira vez que vou e volto de Muzuane sozinha, então melhor não demorar, senão Jorge manda alunos me procurarem, pensando que me perdi. Termino de comer o doce de abóbora que uma das mulheres me serviu, me despeço de todos e pego o “caminho da roça” (no caso, o caminho da praia).


Quando chego em casa, o tempo é só o suficiente para tomar um banho frio (que na verdade é morno de tão quente os canos que ficam debaixo da terra), lanchar e correr para a sala de aula. Temos uma escala e cada dia um de nós é responsável pela atividade da noite (oração ou vídeo) e hoje eu fiquei de colocar o vídeo.


Às 8h o filme acabou, e com ele nosso dia. Volto para casa correndo, a tempo de escrever sobre meu dia, organizar minhas últimas coisas e dormir às 9h, porque amanhã tudo começa novamente e eu preciso das 8h de sono para um bom funcionamento do cérebro!

2 comentários:

Virginia disse...

Minha Irma Vermelha!! O que bom te leer. Although I kind guess and read through ur post, one thing is clear, You are in the middle of God´s perfect will for you!! I am so proud, and so happy for it!! Keep going, be blessed!!
Love ya,

Vicky

Fernanda Terra disse...

Querida irmã, que delícia de dia!! Amo ler seu blog, queria deixar um pequeno comentário sobre a poesia acima,já faço aqui, tão simples e tão linda !! Estou voltando para um curto período de missões na China agora no final de Maio, então este ano expirei minhas possibilidades, mas sei que DEUS me chamou para África, a volta ao mundo é só um preparo -rsrsrs - quando puder e precisar e sentir direção, eu sou uma boa professora (vou orar por isto) me convida pra ir ajudá-las em curto prazo tá?! Beijos - Fernanda