quarta-feira, 28 de março de 2007

PROGRAMA EMBAIXADORES


Dezenove homens moçambicanos, separados para o trabalho do Senhor! Eles irão a todas as províncias no norte de Moçambique com a Palavra de Deus queimando em seus ossos, cheios do Espírito Santo e com a determinação de soldados prontos para tomarem seu país para Deus.

Eles foram alunos na Escola Bíblica Afrika Wa Yesu em Inhaminga, foram para suas casas e serviram suas igrejas locais. A luz de Deus e a mudança em suas vidas foram vistas em suas cidades e por suas famílias e então foram chamados de volta para trabalhar conosco na seara.

Eles receberam mais treinamento na Palavra assim como treinamento prático durante o mês que passaram em Inhaminga. Foram observados enquanto serviam a igreja local, construindo cinco casas para viúvas. Em cada um deles foi encontrado um coração de servo e um caráter com integridade, e então foram escolhidos para serem Embaixadores!

Sua comissão aconteceu nessa última quinta e nós não pudemos participar com eles, mas as notícias chegaram rápido, como o poder e a presença de Deus estavam presentes enquanto foram ungidos com óleo e enviados pela equipe em Inhaminga. Eles não conseguiram dormir a noite toda, tão grande era sua alegria e empolgação por aquilo que lhes estava proposto. Às três da manhã estavam todos prontos, com suas malas em frente da escola. Tiveram que esperar até a hora marcada para saírem, 5h, mas a adoração e a comunhão não podia parar!

A viagem que fizemos em 16 horas, demorou dois dias para eles com o transporte público. Eles testemunharam a fidelidade de Deus por todo trajeto! Que alegria vimos em seus rostos quando nos contavam como quando perderam o batelão (balsa) que carregava seu ônibus com toda sua bagagem, Deus proveu um barco para os levar através do rio e chegarem a tempo de alcançarem seu ônibus com todos seus pertences intactos. Ainda maior luz e alegria em seus rostos quando compartilhavam sobre as duas vidas que receberam Jesus nesse mesmo ônibus. Eles cantaram e adoraram todo o caminho e quando chegou o tempo de descerem do ônibus as pessoas pediram que continuassem com eles. Eles não podiam, mas a luz de Dues já tinha tocado cada vida naquele carro. Eles tiveram que dormir na parada de ônibus em Quelimane, mas nada os desanimava, pois que grande oportunidade para compartilhar Jesus com bêbados e descrentes ali. Vários vinham conversar com eles para os testar, se realmente eram homens de Deus. Antes de irem embora, esses mesmos que os testavam disseram: "Vocês são pessoas que carregam a vitória!" Que testemunho desses homens de Deus pela boca dos descrentes!

Hoje eles receberam toda informação e todo material necessárias para saírem amanhã para o campo, suas províncias, onde irão trabalhar. Eles estabelecerão uma base em uma cidade, onde terão uma conta bancária e acharão uma lan house para manterem contato com os líderes aqui em Nacala. Dessa base partirão para diferentes vilas, acampando em suas tendas, vivendo entre o povo, treinando a liderança da igreja local, compartilhando o Evangelho com os não alcançados, discipulando... o que receberam de graça, também de graça entregarão!

Veremos eles dentro de alguns meses, certamente com muitas vitórias para compartilhar. Sim, serão testados, serão tentados, passarão tribulações e perseguições, mas uma certeza temos: Jesus estará com eles sempre e Seu nome será glorificado em suas vidas. Deixaram famílias, amigos, tudo o que um dia tiveram e conheceram, mas estão guardando tesouros onde realmente importa, no céu!
Por favor, ore por eles!

terça-feira, 20 de março de 2007

Formação Espiritual em Nacala

Olá Irmãos,
Dessa vez estou escrevendo muito rapidinho da lan house da cidade.
Nosso problema com a acesso à internet ainda não terminou, mas estamos vendo vários caminhos diferentes que podemos tomar para acertar a situação.
Aqui estão algumas fotos das semanas passadas...
Novamente dias maravilhosos de grande transformação na vida dos alunos, muita presença de Deus! Simplesmente indescritível! Em breve lerão mais no próximo Suka News que deve ficar pronto em breve!
Um grande abraço!


24 alunos chegaram no dia 04 de março!
O campus estava preparado para recebê-los e o mundo espiritual prontíssimo para a mudança em suas vidas!

Depois do ensino sobre salvação, arrependimento, batismo nas águas, libertação e batismo no Espírito fomos para a praia para o batismo nas águas!
Nessa manhã, enquanto Ellie pregava sobre o batismo no Espírito Santo a atmosfera estava tão pronta, os alunos tão cedentos, que durante a adoração quase todos foram batizados com a evidência de falarem em línguas! Foi muito forte! Como Pedro só podíamos dizer: Como podemos negar a água, visto que já receberam o Espírito Santo?

Jorge (aluno em Inhaminga em 2003, hoje conselheiro dos alunos na escola de Nacala) e Mariano (aluno em Inhaminga em 2002 e hoje Professor da Escola Bíblica em Inhaminga) batizando os alunos na paisagem linda de Nacala!

Esse aluno saiu das águas falando: Meu velho homem ficou lá! Ficou, sou nova criatura! Aleluia! Ele entendeu o batismo nas águas, e ali na praia falou em línguas (foi um dos poucos que não tinha recebido de manhã)!


quarta-feira, 14 de março de 2007

O Povo!

Já estamos em Nacala há quase duas semanas! UAU! O tempo passou rápido e tanta coisa aconteceu! A primeira semana foi principalmente para nos instalarmos em nossa nova casa, comprar o que precisávamos para nossa cozinha e descobrirmos um pouco de como é a vida aqui.

Uma coisa me incomodava e, mesmo sabendo que tudo tem seu tempo – queria ver o POVO! A escola fica há uns 15 minutos a pé de Muzuane, a vila onde a população vive. Estamos à beira da praia, cercados por plantações e outros projetos turísticos ou de desenvolvimento. Eu via os trabalhadores, podia ouvir um pouco de Makua (o dialeto local) por eles, mas não me bastava, queria ver o povo, sentia falta disso!

Enfim, no Domingo isso foi possível! Eu e Nicky, nossa diretora aqui, andamos até Muzuane. Que delícia! Quero tentar descrever para que vocês possam ter uma idéia.

Uma trilha de areia cercada de milharais em diferentes estágios de crescimento. Um sol de rachar, uma brisa constante vinda do mar, a umidade que nos fazia soar constantemente. Na vila, muitas casas perto uma das outros. Muitas mulheres, todas com roupas coloridas, muitas com lenço na cabeça e um grande sorriso no rosto. Crianças por todo lado, que ao nos ver batem palmas, cantam, riem, gritam, seguem-nos – tudo por um sorriso, um minuto de atenção. Alguns homens, com o "cofió" (chapeuzinho estilo árabe) que os identifica como muçulmanos. O dialeto soa como "Salama!"; "Alerrandolilarri!"; "Nroromelo!"; "Orracalala!" – palavras diversas que aprendi. O clima é descontraído, pacato, amigável, pacífico. As pessoas vivem "quietas e desprecavidas" como o povo de Laís (Juízes 18.7), um bom terreno para clamarmos por herança diante do Senhor. Várias mulheres já são cristãs, graças ao testemunho da Nicky e de outros irmãos que já passaram por aqui e meu desejo é desenvolver relacionamento com algumas delas e assim ajudá-las a crescer em sua fé. Uma delas, Zita, tem três filhos e foi deixada pelo marido há cerca de um ano. É uma moça muito esperta e apesar da grande responsabilidade de criar os filhos sozinha demonstra muita descontração e alegria. Ela é uma das poucas que fala um bom português e já combinamos que assim que possível começará a me dar aulas de Makua. Essa é a língua falada em grande parte do norte de Moçambique e é meu desejo aprendê-la o mais rápido possível. Sei o poder que há em falar a língua do coração do povo e da apreciação que têm quando um estrangeiro se preocupa em falar como eles. Será também uma boa oportunidade de desenvolver amizades e "ter uma desculpa" para visitar o povo sempre!

Senhor, aumenta, fortalece, prepara tua noiva em Nacala, em Nampula, em Moçambique, em toda África! E usa-me, segundo tua perfeita vontade!

A RE-ABERTURA DA PISTA DE POUSO EM INHAMINGA


Nacala, Marco 10 de Marco

Alguns de vocês devem se lembrar de que no ano passado pedi oração sobre a situação da pista de pouso de Inhaminga. A pista fica na propriedade da escola bíblica e é simplesmente um longo pedaço de gramado onde o aviãozinho da missão sempre pousa. Esse avião foi doado ao ministério há muitos anos e tem sido usado pelos diretores para transportar comida à áreas de difícil acesso durante épocas de fome, transportes rápidos de emergência e tem se tornado ainda mais útil nos últimos anos em que a missão expandiu-se para duas outras áreas, Pomene (bem ao Sul de Moçambique) e Nacala (bem ao Norte) de difícil acesso por estradas de terra batida cheias de buracos.

Em 2004, logo antes das últimas eleições presidenciais houve uma grande confusão na vila de Inhaminga, com tiroteio entre alguns membros do partido de oposição e a polícia. Foi quase um início de guerra que assustou muito todo país. Por esse motivo, a pista de pouso foi fechada. O governo sempre desconfia que nosso ministério está fazendo contrabando de armas para a oposição – algo totalmente infundado e sem lógica. Assim, desde aquela época encontraram muitas desculpas para manter a pista fechada, e dificultando assim muito nossa movimentação.

Os diretores levaram a situação muitas vezes diante de Deus e todas as vezes receberam a paz de não vender o avião, pois ele ainda é uma ferramenta de Deus para sua obra. Sendo assim, mantiveram o avião em Zimbabwe, esperando o momento oportuno para voltar a usá-lo.

Esse ano, a informação de que a pista havia sido aberta! Aleluia, que grande alívio para todos. Mas esse foi somente o começo de uma batalha bem forte. Um piloto de outra fundação não governamental que tentou pousar em Inhaminga, com todas as autorizações verbais dos aeroportos e controles necessários, quase foi preso. Todos que lhe deram a autorização negaram tê-lo visto ou falado com ele. Foi um grande transtorno que demorou semanas para ser totalmente resolvido.

Mais uma vez informaram que a pista estava aberta. Rodney, diretor fundador da Afrika Wa Yesu decidiu trazer o avião que já não podia ficar em Zimbabwe pelos alto custos de estacioná-lo ali e dificuldades de documentação.

Numa semana em que o Espírito Santo estava agindo com grande força entre os alunos recém chegados em Inhaminga a data foi marcada para a chegada do avião. Todos os documentos necessários para o pouso foram liberados em Beira e Maputo, dessa vez escritos para evitar confusão.

Algumas noites antes do dia marcado, a equipe da missão se reuniu para orar. Deveríamos continuar com os planos? Ouvia-se o boato que os pedidos de outras organizações para pousar em Inhaminga haviam sido negados, sob a declaração de que a pista ainda estava fechada. Por que então Rodney conseguira os documentos? Seria uma emboscada, uma oportunidade para líderes políticos que não vêem com bons olhos o trabalho missionário prender nosso diretor? A decisão não era simples. Cancelar seria falta de fé, ou sabedoria e cautela? Seguir em frente seria demonstração de fé ou presunção? As conseqüências do que decidiríamos seriam grandes. Mesmo com os documentos escritos do governo, aqueles que conhecem como essas coisas são na África sabem que não há terreno seguro. Mas depois de orarmos e buscarmos a Deus, todos sentimos paz e confiança de que devíamos seguir em frente com os planos. As promessas de Deus em relação ao avião e ao que Ele intentava fazer eram reais e Ele seria fiel em cumprir sua palavra.

No Domingo, dia -, o avião chegou – depois de mais de dois anos! Os alunos celebravam, a equipe regozijava. Menos de cinco minutos depois do pouso, uma moto veio da vila com muita velocidade. Era a polícia. Queriam saber quem havia pousado, com que liberação. Não, eles não tinham nenhuma informação de que a pista estivesse aberta. Documentos, não, só veriam documentos na delegacia. Assim, em meio ao regozijo e à certeza de vitória certa, Rod e Ellie seguiram com o pastor Armando para a delegacia. Os alunos e vários integrantes da equipe permaneceram ao redor do avião, intercedendo, profetizando e regozijando (cada coisa a seu tempo). Outros da polícia vieram da cidade ver o que estava acontecendo. Chegavam a toda velocidade tentando intimidar, mas os alunos eram ainda mais intimidadores – oravam todos em línguas em voz bem alta! Os visitantes ficavam meio perdidos e logo humildemente perguntavam o que estava acontecendo. Era até engraçado!

Na delegacia os diretores ficaram mais de uma hora. Deus lhes deu um graça tão especial de serem cordiais e muito pacíficos, mesmo ante a brutalidade dos chefes da polícia. Por fim eles já não podiam ser mal educados e passaram a tratá-los com educação também. O processo todo demorou alguns dias, mas todos estávamos certos do resultado final. Alguns soldados ficaram vigiando o avião dentro do nosso campus ("Como se quiséssemos fugir com o avião!"). Foi uma boa oportunidade para membros da equipe e alunos testemunharem a eles e demonstrar-lhes o amor de Deus.

Enfim, toda situação, intentada por satanás para tirar nossa paz, trazer confusão e temor, resultou em grande glória para Deus, em testemunho para o nome dEle e fortalecimento da nossa fé e da fé dos alunos. Por isso dizemos que cada pedra lançada contra nós, tentando nos destruir é, na verdade, um degrau no qual podemos nos apoiar para subir ainda mais alto.

Por fim, os chefes da polícia de Inhaminga reconheceram que a pista está oficialmente aberta, pediram desculpas e tiraram os soldados do campus... tudo SEM PROPINA ALGUMA! Graças a Deus!

sexta-feira, 2 de março de 2007

Nacala



Estou escrevendo diretamente de Nacala. Chegamos ontem de manhã! Já passamos um mês em Moçambique, mas estávamos em Inhaminga, parte central de Moçambique. Depois de uma viagem de mais ou menos 14h, chegamos ao lugar onde estaremos em casa pelos próximos anos.

O lugar aqui é lindo. O terreno da escola é bem grande e já existem algumas construções: a sala de aula, 4 dormitórios, escritório, cozinha e refeitório. Tudo é simples, mas muito bonito. Do outro lado da rua é onde moramos. Há duas casas, a cozinha em construção e um trailer, onde os diretores da missão vivem quando estão aqui. Uma das casas é nossa e a outra é do Jeff e Nicky, diretores dessa escola em Nacala. Elas são pequenas, só um quarto (que serve tb de sala, sala de jantar e quarto) e um banheiro, mas bem arrumadinhas são muito agradáveis. Temos uma varanda na frente de cada uma delas, que dá para o uma descida e lá a frente o mar. Agora descobri que esse não é o oceano, é uma bahia. Se você olhar num mapa de Moçambique, na região costeira norte, você pode ver uma entrada que o mar faz, formando uma bahia. Nós estamos nessa parte de terra que é tipo uma península, e através da bahia podemos ver o continente. O mar ali embaixo é calmo como um lago e dizem que a praia é linda, de areia e perfeita para nadar. Sim, “dizem” porque ainda não tivemos tempo de descer e ver tudo isso.

Chegamos em Nacala mais ou menos 11h ontem de manhã. Tínhamos viajado o dia todo no dia anterior, de Inhaminga a Nampula. Dormimos lá e, depois de fazer algumas coisas de manhã na cidade, viemos para Nacala – mais ou menos duas horas de viagem. Almoçamos na casa da Deborah (filha do Rod e Ellie) e do Chris. Foi tão bom revê-los. O Gabriel, filho mais velho deles já tem 3 anos e é uma graça. Fala sem parar, mesmo que somente 10% do que ele fala é inteligível! Toda vez que ele passa pela Dora ele diz: “Hi!” e desata contar histórias que nem eu entendo. Depois de ver que a Dora não entende NADA mesmo, ele começou a fazer vários barulhos, para ver que isso ela entendia melhor que as palavras. Hehe... ele é uma gracinha! Chris e Deborah estarão saindo para Zimbabwe amanhã, pois ela está para ganhar nenê lá. Eles moram numa casa dentro da cidade de Nacala e estão aqui para montar uma Escola Vocacional para Moçambicanos cristãos, especialmente para aqueles que se converteram do islamismo e não têm o apoio da família. Escreverei mais para frente sobre a visão deles, pois é muito boa!

Na tarde de ontem arrumamos toda a casa e a tardezinha Deborah e Chris vieram me buscar para nadar (porque ninguém é de ferro, né?!). A Dora não quis ir, acho que era muito inglês para a cabeça dela. Mas nós fomos numa praia há uns 10 minutos daqui pois o barranco da praia da escola é muito íngrime para a Deborah descer grávida. Foi bom passar um tempinho com eles e conversar um pouco antes de irem embora por algumas semanas.

Hoje de manhã fomos para o centro de Nacala, mais ou menos 15 minutos de carro da nossa casa. Tem muitas lojas e pudemos comprar a maioria das coisas que precisávamos. Nacala não é tão grande quanto Beira, mas é bem maior do que Inhaminga. As pessoas das lojas são muito educadas (a maioria chineses, indianos e portugueses) e atendem bem – o que é muito diferente de Beira.

As aulas começam na segunda-feira que vem. Por enquanto o único moçambicano nos ajudando na chegada dos alunos será Jorge. Ele é de Pebane, foi aluno em Inhaminga em 2003, nos acompanhou em saídas de evangelismo em Pebane e Milange em 2004 e agora é o responsável pelos alunos aqui. Acho que vai ser bastante coisa para fazer, mas vai ser bom.

Não tivemos tempo de visitar a população que vive ao redor da escola, mas quero fazer isso em breve. O nome do bairro onde estamos é “Muzuane” e é bem populoso. Ao redor da escola não tanto, pois são propriedades de turismo, indústria etc – todas começando a construir agora. Mas Nicky disse que há 10 minutos a pé da escola chegamos a uma área muito populosa, onde eles já começaram um grupo pequeno e há vários convertidos.

Daqui alguns minutos teremos uma reunião de equipe e acho que começaremos a planejar os próximos dias e semanas. Ainda não tenho internet em casa, mas estarei usando a lan house da cidade sempre que possível, por isso não me abandonem, escrevam!

Não se preocupem com nossa segurança, pois temos uma super guarda na nossa varanda: Dona Morgana!